Primeiramente, para discorrermos sobre a passagem em questão, precisamos entender que existem diversas traduções das epístolas de Paulo, incluindo das que são destinadas à Corinto. Há que se saber que em algumas o termo utilizado é de fato a palavra “Amor”, enquanto em outras é utilizado o termo “Caridade”. Ambas possuem significados distintos, o que é percebido nas próprias obras de Kardec, como em O Livro dos Espíritos, onde muitas vezes encontramos ambos os termos em uma mesma frase, separando os dois de possuírem um mesmo significado, a citar o exemplo do Prolegômenos que destaca entre os objetivos do Espiritismo a implantação do amor e da caridade universais entre os homens.
Apesar disso, é indiscutível que os dois termos estão intimamente conectados e que giram em torno da mensagem do Cristo em todos os momentos de sua trajetória. Daí ser comum muitas vezes confundir ambos os termos, afinal, quando de forma integral, o Amor implica na Caridade, que por sua vez desperta e reaviva o Amor. Independente do termo utilizado, o espírito contido nas letras da passagem em questão pode ser abstraído de forma clara quando analisado de forma integral. No entanto, utilizemos o termo Caridade, o mesmo usado por Kardec em O Evangelho Segundo o Espiritismo ao citar a epístola de Paulo.
Kardec e a plêiade da verdade, responsáveis pela elaboração das obras básicas do espiritismo, nos traz no capítulo XV – Fora da caridade não há salvação, no subtítulo “Necessidade de caridade, segundo S. Paulo”, que a caridade definida na I carta aos Coríntios é não apenas beneficência, mas também todas as qualidades do coração, na bondade e na benevolência para com o próximo. Colocando como caridoso aquele que cujo Amor é maior do que qualquer pensamento de orgulho ou qualquer sentimento de egoísmo, temos então uma das máximas mais importantes (se não a mais importante) do espiritismo: “Fora da caridade não há salvação”.
Tal máxima, consagra o princípio da igualdade perante Deus e da liberdade da consciência, instituindo a Caridade como a porta de entrada para um ciclo virtuoso que eleva nossas almas no caminho iluminado da evolução. Destituindo de qualquer igreja ou religião a responsabilidade pela salvação de nossas almas, através dessa máxima Kardec centraliza na Caridade e na auto responsabilidade de cada um de nós como autores de nosso próprio destino, e institui de forma permanente a Lei de Amor pregada por Cristo e esquecida por todos nós em algum momento de nossas lutas diárias.
Meus irmãos queridos, o Amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera e tudo suporta, pois o Amor é o único caminho através do qual podemos construir o reino de Deus em nossos corações. Dia após dia, que possamos escolher este caminho iluminado e exercermos nosso papel como instrumentos da Caridade Divina, auxiliando e servindo sempre.
Tenhamos um dia iluminado no Amor de Cristo.