Esta leitura do Evangelho de João faz referência a passagem evangélica da mulher adúltera, onde Jesus foi questionado a se posicionar sobre o apedrejamento desta mulher, conforme a lei de Moisés, considerando que esta era a determinação da lei mosaica para este tipo de pecado. Jesus em seu exemplo máximo de amor, e compreensão se dirigiu aqueles homens para que aquele que tivesse sem pecado que atirasse a 1ª pedra, situação esta que os deixou constrangidos e foi saindo um a um.
E quando diz:

    “Vós julgais segundo a carne, eu a ninguém julgo”.

Podemos interpretar que julgar segundo a carne é se ater apenas aos atos exteriores, com julgamentos pré concebidos conforme o nosso ponto de vista em relação a um fato e/ou pessoa. Nesta lógica predomina a falta de indulgência e amor com aquele que erra, deixando de nos colocar no lugar do outro, e a compreender sobre o que levou a cometer o erro. Quando assim agimos, passamos a ver o cisco no olho do outro, e esquecemos de enxergar a trave no nosso.
Jesus por sua vez, não julgava ninguém e usava de amor e indulgência em todos os seus atos. No Evangelho segundo o Espiritismo, capítulo Bem aventurados os Misericordiosos item Não julgueis para não serdes julgados, Kardec nos esclarece que “Atire a 1ª pedra aquele que jamais pecou, afirmou Jesus. Essa máxima converte a indulgência em dever, porque ninguém existe que não necessite, para si mesmo, de indulgência. Ensina-nos que não devemos julgar os outros mais severamente que a nós próprios, nem condenar nos outros o que desculpamos em nós. Antes de censurar uma falta de alguém, pesquisemos se igual censura não poderá recair sobre nós. Completa com a passagem de Mateus: Não julgueis para não serdes julgado- pois sereis julgados, conforme houverdes julgados os outros; e será utilizada convosco a mesma medida que houverdes empregado para com os outros.
Assim, devemos buscar ter misericórdia com o irmão que peca, libertar-nos do orgulho que esmaga e oprime, de nos considerar acima do nosso irmão, dissimulando as nossas imperfeições. Todos somos aprendizes, necessitados de ajustes e perdão, pois todos pecamos, e cometemos erros. Que possamos seguir o exemplo do Cristo, que demonstrava o mais puro amor e no seu grau máximo aplicado ao semelhante. E antes de julgar o nosso semelhante que possamos buscar primeiro a nossa corrigenda, pois Jesus a ninguém julgava e foi o maior exemplo de perfeição. Com que direito julgamos nosso semelhante, se ainda somos tão imperfeitos e inundados de pecados?

    Referência
    Kardec A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 10. Bem aventurados os Misericordiosos.