Devemos, primeiramente, contextualizar o versículo sublime, retirado da Primeira Carta de Paulo à Timóteo, grande amigo e companheiro, fiel à Boa Nova. No livro Paulo e Estevão, ditado por Emmanuel à Chico Xavier, temos uma descrição deste a quem Paulo chamava de “amado filho na fé”. Filho de mãe judia e pai grego, Timóteo acompanhou Paulo em diversas etapas de sua vida missionária ensinando o Amor do Cristo aos corações embrutecidos.
Nesta carta, ou epístola, como se prefira chamar, Paulo vem trazer orientações práticas a respeito da nova doutrina que se iniciava. E, em seu capítulo quarto, a epístola trata do perigo dos falsos doutores e do ministério de fé que Timóteo deveria se dedicar. E é neste ponto que encontramos o versículo “exercita-se a ti mesmo na piedade”, do qual se segue as seguintes palavras: “Se o exercício corporal traz algum pequeno proveito, a piedade, esta sim, é útil para tudo, porque tem a promessa da vida presente e da vida futura”. Sendo assim, Paulo coloca o exercício de ser piedoso como mais importante do que outros, porque é na piedade que estaria a salvação. E, talvez, o mais importante, ele coloca a piedade como uma habilidade a ser exercitada, e que, portanto, todos nós podemos e devemos nos dedicar para alcança-la como virtude em nossos corações.
Mas então, o que de fato é piedade?
No Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XIII, na instrução dos espíritos, possuímos uma comunicação de Miguel que diz:

    “[…] a piedade é a virtude que mais vos aproxima dos anjos; é a irmã da caridade, que vos conduz a Deus”. E continua em outro trecho “A piedade, a piedade bem sentida é amor; amor é devotamento; devotamento é o olvido de si mesmo e esse olvido, essa abnegação em favor dos desgraçados, é a virtude por excelência, a que em toda a sua vida praticou o divino Messias e ensinou na sua doutrina tão santa e tão sublime”.

Percebemos, assim, o quão importante é este sentimento de abnegação das próprias dores em função das dores alheias. Este constante enxugar de lágrimas aos nossos irmãos mais sofredores. E creiam, sempre existirá um irmão mais sofredor, carecendo de um consolo, de uma palavra atenciosa, de um abraço, de alimento para o corpo e para a alma. Sempre há oportunidade de termos piedade.
No entanto, o que fazemos com esta oportunidade sublime de nos aproximarmos dos anjos através da piedade? Quantas vezes o egoísmo nos arrebata a alma para longe do carinho e da atenção? Quantas vezes o orgulho dispara flechas envenenadas de nossas bocas? Quantas vezes a preguiça não nos fecha os olhos para as necessidades de nosso irmão? Quantas vezes nossos ouvidos se tornam surdos para o choro de quem tem fome de Amor?
Reflitam, meus irmãos. Quanto ainda nos falta para sermos de fato piedosos? Sejamos sinceros conosco mesmo no tribunal de nossa consciência. Acreditando que, se não há juiz pior que nosso espírito, também não há ninguém mais que possa ser piedoso em seu lugar.
Paulo, em sua carta a Timóteo, ao dizer “exercita-te a ti mesmo em piedade” vem chamar a todos nós para exercitarmos essa sublime virtude. Que possamos ser todos como Timóteo, e aproveitarmos a oportunidade diária de sermos piedosos, hoje e sempre.
Tenham um dia iluminado no Amor de Cristo.