O apóstolo dos gentios nessa segunda carta ao povo de Corinto, vem nos mostrar seu testemunho a cerca das decepções, mas também das consolações quando se está disposto a seguir adiante na tarefa da evolução espiritual. É preciso saber distinguir a tristeza que revolta e paralisa a marcha evolutiva, da tristeza que auxilia o ser humano a encontrar-se na caminhada terrena.
Sabemos através de estudos da neurociência que, na essência, a tristeza é uma emoção primária que está presente em todos os seres humanos, e assim como toda emoção primária ela deve ser sentida, mas não colocada no lugar das outras, ou colocada em mais evidência. A tristeza muitas vezes nos ajuda a não tomar decisões extremas que poderia nos prejudicar no futuro, nos ajuda a ter humildade e muitas vezes é o sentimento que nos move à busca de algo melhor, uma inconformação saudável do nosso estado atual, nos impelindo a mudanças urgentes em nosso íntimo ou em nosso meio.
Emmanuel no livro Palavras de Vida de Eterna (cap. 156) vem nos advertir sobre o perigo com esse sentimento, porque a revolta e a inconformação exagerada pode atrapalhar nossa produtividade, adormecer nossos potenciais e nos transformar em pessoas que mais reclamam do que fazem:

    “Cautela com a tristeza, capaz de converter-se em lama de fel ou em labareda de angústia no coração.
    Sentimento, ideias, palavras e atitudes são agentes magnéticos de indução para o melhor ou o pior, conforme o rumo que se lhes traça.
    Queixa inútil enfraquece o otimismo, gerando desconfiança e perturbação.
    Azedume corta o impulso de generosidade, aniquilando boas obras no nascedouro.
    Irritação abate as forças da alma, trazendo a exaustão prematura.
    Mágoa anula a esperança, arrasando possibilidades de trabalho.
    Desespero queima o solo do ideal, exterminando a sementeira do bem.
    Se aspiras a construir, planta benevolência e serenidade, entendimento e abnegação na gleba da própria alma.
    Todos dependemos uns dos outros, na desincumbência dos compromissos que nos competem. A vida, porém, através de todos aqueles que nos partilham a marcha, reage sobre nós, segundo agimos; em vista disso, para a execução da tarefa que nos cabe, quantos caminham ao nosso lado apenas colaboram conosco, na pauta de nosso auxílio, dando-nos isso ou aquilo, no tanto e na espécie daquilo ou disso que venham a receber.”

Que possamos nos lembrar meus irmãos que todas as pessoas são corações semeados, aquilo que semeamos nos corações será aquilo que receberemos delas. Muita paz!